Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
Brasil

Óleo no NE: Confira 9 falhas do governo no vazamento

Manchas de óleo reaparecem em praias da Paraíba

Publicada em 29/10/19 às 09:23h - 117 visualizações

por Agência O Globo/ Correio da Paraíba


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 (Foto: Ascom)

O litoral da Região Nordeste não foi tingido de óleo apenas por um ou dois motivos. Na raiz da crise ambiental, que acaba de completar dois meses, sobram relatos de desencontros entre autoridades. O manual criado para nortear a implementação do plano de contingência (PNC) foi ignorado. O mesmo ocorreu com um relatório elaborado dentro do próprio Ministério do Meio Ambiente, que alertou como a extinção de colegiados comprometeria o acionamento do PNC. Ainda assim, a medida não foi revogada.

Falta de diálogo

Desde os primeiros dias do incidente, secretários municipais e diretores de agências ambientais estaduais queixam-se dos problemas de comunicação com a União , o que prejudica a realização conjunta de operações. Mesmo as vistorias de autoridades não coincidem — o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, provocou constrangimento no governo sergipano ao visitar o litoral do estado sem comunicação prévia.

Manual violado

O Ministério do Meio Ambiente cometeu uma série de violações nos processos listados em um manual que orienta a implementação do Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC). Reportagem exclusiva do GLOBO mostrou que, dos 35 critérios listados para ativação do programa, há ao menos 18 que se cumpriam ou eram fruto de dúvida no início de outubro, quando o plano ainda não havia sido acionado .

Atraso no plano

Como os critérios do manual não foram obedecidos, o plano de contingência, que deveria ser acionado no dia 2 de setembro, só entrou em vigor 41 dias depois, em 11 de outubro . Segundo especialistas, o PNC não anularia completamente o impacto do óleo sobre as praias, mas poderia reduzi-lo significativamente. Tampouco foram informadas medidas preventivas para evitar a difusão da substância pelo litoral e a verba necessária para as operações.

Nota ignorada

Reportagem exclusiva do GLOBO mostrou que o Ministério do Meio Ambiente ignorou uma nota técnica elaborada por um analista da pasta, que alertou que a extinção de três comitês poderia fragilizar a reação da União diante de incidentes de poluição por óleo. O documento foi assinado no dia 26 de abril, 15 dias após a publicação do decreto 9.759/2019, assinado por Jair Bolsonaro, que revogou colegiados considerados “supérfluos”. A tesourada atingiu os comitês concebidos pelo decreto de 2013 que criou o PNC.

Briga com ONG

Em sua conta no Twitter, Salles afirmou que, por “coincidência”, a embarcação Esperanza, do Greenpeace, estava navegando “justamente em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro, bem na época do derramamento de óleo venezuelano”. A ONG afirmou que, à época, o navio havia passado pela Guiana Francesa, e está atracado atualmente em Montevidéu. Diante da repercussão negativa, Salles voltou atrás e afirmou que o navio da ONG “não se prontificou a ajudar”.

Praia imprópria

Ao visitar Ipojuca (PE), o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, molhou os pés e as mãos na Praia do Muro Alto e declarou que ela estava “completamente apta à frequentação de turistas”. Naquele dia, porém, a praia era considerada imprópria pela Agência estadual de Meio Ambiente, por ainda ter “óleo visual”. Segundo a agência, mesmo após a ação de um mutirão de voluntários, o movimento das marés poderia contribuir para o aparecimento de manchas de óleo.

SOS voluntários

Por falta de equipamentos de proteção, voluntários que ajudam na limpeza de óleo em diversas localidades estão expostos a substâncias tóxicas. Na praia de Itapuama (PE), um grupo escreveu na areia “SOS” ao lado de uma mancha . Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta , algumas pessoas estão retirando o óleo do corpo com benzina, gasolina e querosene, substâncias ainda mais tóxicas do que a vista no litoral. O ideal, diz ele, é limpar a pele com sabão.

Sem máquina

Na semana passada, o diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo Neto, afirmou que a estatal não tem os equipamentos necessários para combater o vazamento de óleo. Os centros de defesa ambiental da empresa são preparados para um óleo de composição mais leve. Já o visto no incidente que acomete o Nordeste é mais pesado, vem por baixo do oceano e, por isso, não é contido por barreiras antes do litoral.

Às escuras

As investigações enviadas à Marinha indicam dificuldade para delimitar o perímetro em que poderia ter ocorrido o vazamento de óleo. Na semana passada, dois estudos enviados à Força mostraram a possibilidade de o derramamento ter ocorrido entre 270 e 600 quilômetros do litoral , tendo como ponto de partida os estados da Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Até então, as estimativas variavam entre 600 e 800 quilômetros.

da Agência O Globo

 

Manchas de óleo reaparecem em praias da Paraíba

Gotículas seriam residuais do surgimento das manchas no início de setembro no estado

 

O litoral da Paraíba voltou a registrar pequenas manchas de óleo, em formato de gotículas, na manhã deste domingo (27). Os resquícios foram encontrados nas praias de Barra de Gramame, em João Pessoa, e Tambaba, em Conde. Na Capital, as substâncias foram vistas durante o monitoramento realizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam); em Conde, os resíduos foram encontrados durante ação coordenada pela Capitania dos Portos, com participação da Marinha, Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental, Ibama e demais entidades.

No entanto, conforme a Capitania dos Portos relatou ao Portal Correio, as praias do litoral paraibano não estão sendo atingidas por novas manchas de óleo. As gotículas seriam residuais do surgimento das manchas no início de setembro no estado. As amostras foram coletadas e serão analisadas para saber se são provenientes do grande vazamento que tem se expandido pelo litoral nordestino nas últimas semanas.

O trabalho de monitoramento na Paraíba foi reforçado desde a última quinta-feira (24), devido ao redirecionamento de uma corrente marítima que poderia trazer para a Paraíba o óleo que tem se acumulado no litoral pernambucano. Outro fator que facilitou a chegada dos resíduos foi a maré alta, segundo a Secretaria do Meio Ambiente da Capital (Semam).

Na praia de Gramame, a Semam acionou a Capitania dos Portos e a Marinha para auxiliar na coleta e acondicionamento do material para a realização de um descarte adequado. Também haverá uma atenção minuciosa na área para verificar se a descoberta é indício de um futuro alerta vermelho. O monitoramento segue imediatamente para as praias do Sol e de Jacarapé.

Praias monitoradas com tecnologia australiana

Os arrecifes mais vulneráveis do Litoral paraibano deverão ser monitorados com tecnologia australiana.  A informação foi repassada ao governador João Azevêdo pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Em ofício enviado ao gestor paraibano, o ministro explicou que, após reunião  com o embaixador do governo da Austrália, Timothy Kane, o governo daquele país se prontificou a prestar o auxílio técnico-científico no trabalho de prevenção e remoção do óleo que tem atingido os arrecifes dos Estados do Nordeste.

Nesta segunda-feira (28), o Governo da Paraíba deverá enviar ao Ministério do Meio Ambiente todas as informações sobre as áreas mais vulneráveis do Litoral para que sejam avaliadas as melhores técnicas para impedir que o óleo atinja os arrecifes, evitando maiores impactos ambientais.

Em audiência no Ministério do Meio Ambiente na última quarta-feira (23), o governador João Azevêdo externou sua preocupação com os possíveis impactos ambientais e econômicos que a poluição ambiental registrada no Litoral nordestino poderá causar e solicitou medidas urgentes do governo federal para identificar a origem do óleo. Na ocasião, ele também protocolou um ofício junto ao órgão para detalhar todas as ações já adotadas pela gestão estadual, em parceria com várias instituições federais, estaduais e municipais, para enfrentar o problema.

A ampliação do grupo de trabalho, que ficará encarregado de encaminhar e definir ações técnicas e operacionais, a intensificação do monitoramento das áreas mais vulneráveis do Litoral paraibano, bem como o monitoramento aéreo, o estudo das correntes marinhas com o auxílio da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a realização de campanhas de esclarecimento voltadas à sociedade civil foram algumas das ações encaminhadas pelo Governo do Estado e órgãos ligados ao meio ambiente durante reunião promovida na última terça-feira (22), no Palácio da Redenção, em João Pessoa.

Site divulga informações sobre óleo

O Governo Federal lançou o site ‘Mancha no Litoral‘ para que a população acompanhe as ações que estão sendo promovidas para combater as manchas de óleo encontradas nas praias do Litoral do Nordeste desde o fim de agosto. Até agora, os nove estados da região foram afetados, em menor ou maior escala, pelo óleo. Leia mais.

Praias atingidas da PB (desde o início)

De acordo com o Ibama, logo quando foram detectadas na Paraíba, entre o fim de agosto e setembro deste ano, as manchas de óleo atingiram os seguintes trechos no estado:

Mataraca

·         Barra do Rio Camaratuba

Rio Tinto

·         Oiteiro

·         Lagoa de Praia

·         Praia de Campina

·         Barra do Rio Mamanguape

Cabedelo

·         Praia Formosa

·         Praia de Camboinha

·         Praia do Poço

·         Praia de Intermares

João Pessoa

·         Praia do Cabo Branco

·         Praia de Tambaú

Conde

·         Praia do Amor

·         Tambaba

·         Gramame

·         Jacumã

Pitimbu

·         Praia Bela

De acordo com a Sudema, todos os trechos onde foram encontradas manchas de óleo na Paraíba foram limpos e não há registro de novas ocorrências.

Orientações ao ver óleo em praias

Em nota, a Marinha do Brasil solicita a todos que avistarem novas manchas que entrem em contato com as autoridades competentes, podendo também realizar contato telefônico por meio do número 185, a fim de auxiliarem na execução de ações de pronta resposta, evitando maiores danos à natureza e à população local.

As autoridades recomendam que as pessoas evitem tocar as manchas de óleo sem luvas de borracha. Caso o produto entre em contato direto com a pele, é recomendável limpar imediatamente a área atingida, utilizando gelo e óleo de cozinha. Em caso de reação alérgica, a pessoa deve procurar atendimento médico.

Outros telefones também podem ser contactados caso sejam encontradas manchas de óleo em praias, como o 199 da Defesa Civil, 190 da Polícia Militar, em todo o estado e, em João Pessoa, o 0800 281 9208 da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam).

Correio da Paraíba




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